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So there you have it: two things and I can’t bring them together, and they are wrenching me apart. These two feelings, this knowledge of a world so awful, this sense of a life so extraordinary – how am I to resolve them?





[…] A cold paralyzing horror: a glimpse into the subhuman… the sickness of life beginning again: the exhausting awareness of every ache. What the hand does in reaching, a misery of awareness; loss of memory in small things; hatred of necessary routines; hatred but not fear of dark; watching the skin, the fingers; overeating; a full preoccupation with unnecessary tasks; weakness in the morning; fear of headlights; distrust of children; a tide of loss.

(Theodore Roethke, notebooks)


Confundias em mim
o silêncio com a melancolia
quando assistia imóvel
à passagem do tempo
e deixei que me atravessassem
suas marcas.

O silêncio é o recorte da alma —
se estás sem medo
e desapegado
o som do vazio
preencherá o ar:
nenhum bater de asas
nenhuma folha ao vento
será audível —
a vida te inundará —
corpo e sentidos.

Serás aquele que passou
pelo silêncio dos abismos
e sobreviveu
como, creio, eu.


(Fany Aktinol)





Every artist has some form of insecurity… about what they create, whether it’s good enough, [if] it’s gonna stay at the top, or it’s gonna still speak to people. Or is it going to lose its… relevance?

You can’t worry about these things. You have to create things that are truthful. And [by] truthful… I don’t mean truthful with the big “T”, just truthful to yourself. And authentic and honest, and that resonates with the experiences and situations that you’ve gone through.

I often wish that I’d gone through harder things in life so it makes my art richer in… somewhat… some layer, questioning my own identity, for some reason…

It’s not about you. It’s not about all your talents. Because all those things formed us [most] like a pseudo reality, you know, when you find all your validation in what you do. And if you surrender yourself to it [the great abyss] then those things become less important, and you find your creativity again. You find out the reasons why you create.

Creativity… it’s not for yourself. It’s to serve others.



Um interessante experimento em macro cinematografia realizado pelo fotógrafo alemão Roman De Giuli, com um belo resultado.



Segundo o autor:


A ideia deste trabalho era encenar a gênese de um universo minúsculo, que só existe durante um tempo muito curto sobre uma placa de vidro, e depois se dissolve em um fluxo desordenado de óleo, tinta e água.

Esse universo precisava aparecer como um fenômeno bem definido, incandescente e brilhante, que lembrasse o espectador do olhar através de um telescópio. A atmosfera cheia de estrelas, planetas, nuvens e névoa emerge de grandes correntes coloridas, formando bolas e bolhas. Suas superfícies refletem o padrão do fundo, dando aos objetos uma aparência tridimensional. O espaço expande-se cada vez mais em profundidade, até que explosões de estrelas vindouras levam todo o sistema a um colapso. A ilusão decompõe-se em uma mancha escura de substâncias misturadas, e desaparece tão rapidamente quanto surgiu

As áreas que podemos ver neste curta-metragem tem apenas alguns centímetros quadrados, sendo algumas vezes menores do que uma moeda. Os fluxos e interações de fluidos não são visíveis a olho nu; precisam ser capturados por uma lente macro de 1:1 e algumas luzes LED muito brilhantes.

Levei cerca de 70 horas para gravar, tentando e falhando até ser capaz de capturar imagens com um caráter orgânico e não artificial, criando um cosmos realmente fidedigno. Na edição, as filmagens foram apenas aceleradas e sofreram correção de cor, mas sem qualquer composição ou CGI.


(Tradução de Jussara Almeida)


Ilustração de Michael Shapcott Ilustração de Michael Shapcott


Era uma vez uma menina cujo coração batia mais rápido que o das outras pessoas. Isso incomodava toda a gente. Por causa do barulho…

O coração batia tão alto!

Ela tentava explicar: «É um coração de pássaro. Eu estou no corpo errado! Daí o coração bater tão rápido. Eu sou um pássaro…»

Pouco a pouco as pessoas foram-se habituando ao barulho do coração. Acabaram mesmo por esquecê-la. Ninguém se apercebeu do que se passava.

E isso era bom para ela. Também ela se habituava. Começou mesmo a gostar do seu corpo. E sentia-se cada vez mais leve.

Ninguém reparou como sorria, de olhos postos no céu.

E depois, um dia…

As pessoas já não sabiam se era alguém que morria, ou alguém que nascia.

Mas uma coisa era certa, ninguém se importaria de partir assim.


(Regina Pessoa em “História trágica com final feliz”)


Ilustração de Michael Shapcott Ilustração de Gildo Medina


I am a bird girl now
I’ve got my heart
Here in my hands now
I’ve been searching
For my wings some time
I’m gonna be born
Into soon the sky
‘Cause I’m a bird girl
And the bird girls go to heaven
I’m a bird girl
And the bird girls can fly
Bird girls can fly


(Antony and The Johnsons, “Bird Gerhl”)




Você sabe o que as pessoas faziam nos velhos tempos, quando tinham segredos que não queriam compartilhar com ninguém? Escalavam uma montanha até encontrar uma árvore, nela cavavam um buraco, sussurravam o segredo dentro dele e depois o cobriam com lama. Dessa forma, ninguém jamais iria descobrir aquele segredo.

Ele lembra daqueles anos desaparecidos. Como se olhasse através de uma vidraça empoeirada… O passado é algo que pode ver, mas não tocar. E tudo o que vê está manchado e indistinto.

(Wong Kar-Wai | In the Mood for Love)



Como Kar-Wai entregou a Chow, e este às ruínas de Angkor Wat, procura também tu um sítio alto, e confia sem temor o teu maior segredo a uma árvore. Quando fizer sombra em tardes estivais, ou te der flores e frutos, para chegares menos sozinho à morte, o teu segredo virá sentar-se silencioso contigo, e pensarão juntos uma mão mais terna para os dedos vorazes da noite.

(Renata Correia Botelho | “Small Song”)


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