Nossas “orações” preferidas, porque são assim que nos parecem, todas elas.

A começar pela primeira, na linda voz de um português que encanta com seu talento… É a minha mais querida — que tive o prazer de ver ao vivo — para “orar” em dias de rara leveza no coração, quando Deus realmente parece existir… Agora, para quando o coração dói feito louco ou parece ter esvaziado por completo, prefiro Clarice. (Jussara)

Já a Carol ainda não postou uma que seja “só dela”. E aí, amiga? Conta pra gente…  🙂




Não sei, não sabe ninguém
Porque canto fado, neste tom magoado
De dor e de pranto…
Neste tormento, todo sofrimento
Eu sinto que a alma cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus, que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas, deu ouro ao sol e prata ao luar
Foi Deus que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar

Pôs as estrelas no céu
Fez o espaço sem fim
Deu o luto as andorinhas
Ai…e deu-me esta voz a mim

Se eu canto, não sei porque canto
Misto de ventura, saudade, ternura ou talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando, se tem um desgosto
E o pranto no rosto nos deixa melhor
Foi Deus, que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus, que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar

Fez o poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu flores à primavera
Ai…e deu-me esta voz a mim




Meu Deus, me dê a coragem
De viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
Todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
Como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
Entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
Com este vazio tremendo
E receber como resposta
O amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
Sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
E mesmo assim me sentir
Como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
O meu pecado de pensar.

[Estes poemas são resultado do arranjo em versos, feito pelo padre Antônio Damázio, de textos em prosa da escritora Clarice Lispector, segundo a informação obtida neste blog]



Alivia a minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha.

Faze com que eu sinta que a morte não existe porque, na verdade, já estamos na eternidade.

Faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte;

Faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária.

Faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta.

Faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e, no entanto, ele quer.

E, no entanto, o beijo é perfeito.

Faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada,

E eu mesma também incompreensível.

Então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso,

Mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la.

Abençoa-me para eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo.

Faze com que eu tenha caridade por mim mesma, pois senão não poderei sentir que Deus me amou.

Faze com que eu perca o pudor de desejar que, na hora de minha morte, haja uma mão humana amada para apertar a minha.

Amém.

(Clarice Lispector)

.

……..

DEUS

Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa: e depois da morte?

Mesmo para os descrentes há o instante de desespero: que Deus me ajude.

Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude. Estou precisando.

Precisando mais do que a força humana. E estou precisando da minha própria força.

Sou forte, mas também sou destrutiva. Autodestrutiva.

E quem é autodestrutivo também destrói os outros. Estou ferindo muita gente.

E Deus tem que vir a mim,  já que eu não tenho ido a Ele.

Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha.

Ou talvez os que menos merecem precisem mais.

Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito.

E também me dói quando percebo que feri.

Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa.

Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas.

Se tanto amor dentro de mim recebi, e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha.

Venha antes que seja tarde demais.

(Clarice Lispector)

.

.

Já que você me pediu para incluir orações de que gosto, amiga, aqui vai algumas. Não sou uma pessoa que costuma rezar, mas alguns textos são muito poéticos e belos. Vale a pena ler! (Carol)

.

Quisera não saber, Senhor,

Quisera que fossem histórias,

Quisera persuadir-me de que estou sonhando,

Quisera que me provassem exagero,

Quisera que me mostrassem que essa gente toda está sem razão, que, se são desgraçados, é por culpa deles.

Quisera tranquilizar-me, Senhor, não posso mais, porém, é muito tarde.

Olhei demais,

Ouvi demais,

Contei demais,

Contei, Senhor, e creio que as cifras implacáveis roubaram para sempre minha tranquilidade inocente.

Michel Quoist  |  “Poemas para Rezar”


Por todos os feridos da alma e do corpo,

…….vítimas do trabalho de seus irmãos.

Por todos os mortos cuja morte milhares de homens

…….conscienciosamente fabricaram,

Por este bêbado, grotesco, palhaço no meio da rua,

Pela humilhação e pelas lágrimas da mulher,

Pelo medo e pelos gritos dos garotos,

Senhor, tem piedade de mim, tantas vezes sonolento,

Tem piedade dos míseros, completamente adormecidos e

…….cúmplices de um mundo no qual irmãos se matam

…….uns aos outros para ganhar a vida.

Michel Quoist  |  “Poemas para Rezar”
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