Confundias em mim
o silêncio com a melancolia
quando assistia imóvel
à passagem do tempo
e deixei que me atravessassem
suas marcas.

O silêncio é o recorte da alma —
se estás sem medo
e desapegado
o som do vazio
preencherá o ar:
nenhum bater de asas
nenhuma folha ao vento
será audível —
a vida te inundará —
corpo e sentidos.

Serás aquele que passou
pelo silêncio dos abismos
e sobreviveu
como, creio, eu.


(Fany Aktinol)





Every artist has some form of insecurity… about what they create, whether it’s good enough, [if] it’s gonna stay at the top, or it’s gonna still speak to people. Or is it going to lose its… relevance?

You can’t worry about these things. You have to create things that are truthful. And [by] truthful… I don’t mean truthful with the big “T”, just truthful to yourself. And authentic and honest, and that resonates with the experiences and situations that you’ve gone through.

I often wish that I’d gone through harder things in life so it makes my art richer in… somewhat… some layer, questioning my own identity, for some reason…

It’s not about you. It’s not about all your talents. Because all those things formed us [most] like a pseudo reality, you know, when you find all your validation in what you do. And if you surrender yourself to it [the great abyss] then those things become less important, and you find your creativity again. You find out the reasons why you create.

Creativity… it’s not for yourself. It’s to serve others.


Posted by: CAROL (13h30)

Artigo de Jussara Almeida para o site ANTICAST.


O que leva uma pessoa a criar algo, seja nas artes, na filosofia, no design, ou em qualquer outra circunstância da vida? Foi essa pergunta que inspirou o meu bate-papo com Ivan Mizanzuk e Marcos Beccari, quando fui convidada para participar do Anticast 23, em outubro de 2011. O assunto é bastante complexo, como sabíamos bem e conforme alertava o “teaser” do programa, por isso a opção de reduzir o escopo da abordagem ao pensador americano Ernest Becker, sobre o qual escrevia minha dissertação de mestrado na época.

[…] Há muitas ideias e definições para o que vem a ser o impulso criativo, o que não facilita em nada a tarefa de abordar o assunto. Assim, partirei de uma ideia bastante simples, de que sempre existiram pessoas que não apenas sentem o impulso de criar obras de arte como também possuem a habilidade de fazê-lo: homens e mulheres para os quais a criação artística, e a comunicação de suas experiências através dos produtos dessa criação, tem sido seu principal, senão único, meio de encontrar satisfação em suas vidas. E embora esse impulso tenha sido estudado e discutido por muitos pensadores de diferentes áreas, ele ainda é, em última análise, um elemento misterioso da personalidade humana. Como nos lembra Caudwell, que escreveu sobre o impulso criativo na escrita e na pintura, em qualquer estado de civilização ou barbarismo esse impulso sobreviveu; em qualquer época ou lugar do planeta, o ser humano sempre criou, em palavra ou linha, cor ou som, trabalhos que não admitem qualquer explicação unicamente utilitária.

Embora as criações arquiteturais tenham surgido “da necessidade, em primeiro lugar, de criar habitações e edifícios públicos, o mesmo não pode ser dito da música, da poesia, da pintura, da escultura e da dança” (CAUDWELL, p. 1). E mesmo que se acredite que algumas dessas expressões tiveram sua origem na magia ou na religião, essa é uma explicação inadequada para esse impulso, para essa ânsia que continua presente “onde os motivos mágicos e religiosos já foram há muito esquecidos, e onde eles nunca existiram” (CAUDWELL, pp. 1-2). Por essa razão, Caudwell acredita que para compreender a natureza do impulso criativo de forma mais completa é necessário descobrir como ele é satisfeito. Não há espaço aqui para apresentar suas conclusões a esse respeito, mas é possível dizer que, ao menos para aqueles reconhecidos como artistas, uma espécie de “felicidade” reside na satisfação parcial de certos desejos internos profundos, que só pode ser conseguida através da criação de obras de arte. De acordo com essa ideia, o primeiro passo para o entendimento da mente criativa seria a análise desses desejos profundos que o artista tenta satisfazer através de sua atividade.

Dentre as descrições de Caudwell para o que poderia estar por trás desses desejos profundos, é interessante ressaltar duas características importantes: um desejo de atingir a perfeição e uma necessidade de alcançar uma sensação de valor próprio. No primeiro caso, o artista sempre procura atingir a perfeição através de seu meio de expressão, seja de forma consciente ou inconsciente. Ainda que de uma forma ideal, ele acaba concebendo uma noção de perfeição ou integralidade de expressão que estará sempre buscando alcançar – razão pela qual toda obra de arte se inicia com grandes esperanças, ainda que estas sejam, na maior parte do tempo, desfeitas durante o processo criativo. No segundo caso, o desejo de se sentir valorizado dependerá, obviamente, do desenvolvimento do indivíduo durante o processo de crescimento e amadurecimento, mas também da forma como ele concebe as formas ideais que procurará expressar através de suas criações. A crença em uma “perfeição” da expressão artística está na base de todo esforço artístico; no entanto, a completa perfeição, seja lá o que isso signifique, permanece fora do alcance de todo e qualquer indivíduo. Assim, na opinião de Caudwell, o verdadeiro artista nunca pode se sentir completamente satisfeito com suas criações. (continua…)

Para ler o artigo completo, visite o site ANTICAST.