Posted by: Jussara

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O pior neste momento seria o pesar de quem quer que fosse, um olhar, ou mesmo uma palavra. Desviar imediatamente os olhos ou calar o falante, porque se faz necessário o sentimento de que o que estou passando é incompreensível e não compartilhável: só dessa forma posso acreditar que o terror faz sentido e é verdadeiro. Assim que começam a falar dele, imediatamente sou tomado pelo tédio, tudo se torna irrelevante. Apesar disso, de vez em quando menciono a um ou outro […], embora não faça sentido, e me irrito quando alguém tem coragem de acrescentar alguma observação à minha fala. Nessas horas, na verdade, desejaria que me distraíssem e me enganassem com alguma outra coisa. 

Em seu filme mais recente, James Bond atirou um inimigo por cima do corrimão da escada, e depois, quando lhe perguntaram se o sujeito havia morrido, ele respondeu: “Espero que sim!” — ao que eu, aliviado, ri. Piadas sobre a morte e sobre os mortos não me incomodam, até me fazem bem.

Talvez por isso, volta e meia, eu me “descontrolasse”: de repente se desmontavam as fantasias cotidianas, as por outro lado inifinitas vezes reiteradas repetições das fantasias primitivas, e depois a minha consciência pulsava pela dimensão do vazio que nela crescia…

Isso passou, não me descontrolo mais.

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Trecho de “Os Verbos Auxiliares do Coração“, de Péter Esterházy  (Linda edição da Cosac Naify, 2011  —  Tradução: Paulo Schiller)

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Posted by: Jussara (15h00)


A luz estava toda lá dentro e o escuro, todo fora.”

(Paolo Giordano em ‘A solidão dos números primos)





Pequena consideração sobre o medo do escuro

Por Mirella  |  Fonte original: Não-Coisa  |  11 de novembro de 2009 – 12:26


As luzes se apagam e com elas vão todos os artifícios.

Dissolvem-se os simulacros.

Calam-se as mentiras que a contemporaneidade conta pra se esconder de si.

As luzes se apagam e uma voz grave nos vem sussurrar no escuro:

Suas coisas são frágeis demais. Vocês estão fazendo tudo errado.


Posted by: Jussara (segunda, 7h)

Tenho a sensação de tentar ir a algum lugar, como se eu soubesse o que quero dizer, mas quanto mais longe vou, mais seguro me sinto de que o caminho rumo ao meu objetivo não existe. Tenho de inventar a estrada a cada passo e isso significa que nunca posso ter certeza de onde me encontro. Uma sensação de andar em círculos, de sempre voltar atrás pelo mesmo caminho, de partir em várias direções ao mesmo tempo. E mesmo que eu consiga fazer algum progresso, não estou nem um pouco convencido de que vá me levar aonde penso estar indo.

Só porque vagamos sem rumo num deserto não significa que exista uma terra prometida.

(Paul Auster, “A Invenção da Solidão“, p. 40-41)

Posted by: Jussara (segunda, 20h09)

[…] uma sensação de portas que se fecham, de fechaduras que se trancam. É uma estação hermética, um longo momento de introspecção. O mundo exterior, o mundo tangível das matérias e dos corpos, tomou o aspecto de uma mera emanação de sua mente. Ele se sente deslizando através dos acontecimentos, flutuando como um fantasma em torno de sua própria presença, como se vivesse em outra parte, fora de si mesmo — não de fato ali, mas tampouco em nenhuma lugar. Uma sensação de ter sido trancafiado e, ao mesmo tempo, de ser capaz de caminhar através das paredes. Ele anota em algum ponto, às margens de um pensamento: uma escuridão nos ossos.

[…] O mundo, para ele, se encolheu até ficar do tamanho de sua sala e, durante o tempo que for necessário para que ele venha a compreender isso, precisa ficar onde está. Só uma coisa é certa: não pode estar em nenhum outro lugar, seria absurdo para ele pensar em procurar um outro.

(Paul Auster, “A Invenção da Solidão“, p. 90-91)

Posted by: Jussara

Antes de voltar ao trabalho, essa é pro rabugento mencionado anteriormente, embora ele não leia este blog (espero!!)… E, caso lesse, não saberia que é dele que estou falando (conheço quatro pessoas com a mesma característica a quem chamo pelo mesmo adjetivo carinhoso. Se um de vocês ler isto aqui, saiba que pode ser OU NÃO você! hahaha)…

Troquei o gênero na letra de Antonio para combinar. Sorry, Toninho!

Por que sentimos saudade de quem não dá a mínima pra gente? Por que a gente gosta de quem não merece? Por que tem uns chatos que ficam pendurados em nosso pensamento?

Por que? Por que? Por que? … ok, chega! Estou com 5 anos de idade novamente, depois dessa!

See you later, alligator… Ju

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Pense Em Mim

Antônio Maria

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Em sua vida,
Quando estiver sozinho,
Pense em mim, pense em mim,
Em sua noite,
Quando faltar carinho,
Pense em mim, pense em mim.

Minha saudade é sincera,
E vive da espera,
Do bem que não vem,
Minha esperança envelhece,
Meu riso entristece,
E eu não conto a ninguém.

Em sua vida,
Quando não houver mais nada,
Pense em mim,
Ao menos um minuto, em mim.


.. Rosi Golan cantando “Think of Me”..

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Não sou chegada a romantismo, mas o vídeoclipe é tão bonitinho. Gosto da cena dela andando no meio do campo, carregando uma mala.  Adoro flores… UM DETALHE: Na hora em que o carinha está olhando uma banca de livros, dentre os poucos cujos títulos conseguimos ler está o de Douglas Hofstadter, I am a Strange Loop. Douglas é um acadêmico que pesquisa o surgimento da consciência e também a criação artística, assuntos que fazem parte da minha dissertação, de forma indireta (Becker também pesquisou sobre o assunto). Ele ganhou o prêmio Pulitzer em 1980, por outro livro chamado Gödel, Escher, Bach: an Eternal Golden Braid.

No livro que aparece no clipe, Hofstadter investiga as origens da auto-consciência, do surgimento do “eu”. Ele diz: “How do we mirror other beings inside our mind? Can many strange loops of different “strenghts” inhabit one brain? If so, then a hallowed tenet of our culture – that one human brain houses one human soul – is an illusion“. Diferentes “seres” — ou “laços estranhos”, como ele chama — dentro da mesma mente? Hum, bem, pode até ser… Fernando Pessoa que o diga!

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