Posted by: Jussara

Fotos de INEKE KAMPS


Você acha que nunca acontecerá com você, que não pode acontecer com você, que você é a única pessoa no mundo para quem nenhuma dessas coisas jamais acontecerá; e então, uma a uma, todas elas começam a acontecer com você, da mesma forma que acontecem com qualquer outra pessoa.

Seus pés descalços no chão frio, quando sai da cama e caminha até a janela. Você tem seis anos de idade. Lá fora, a neve está caindo, e os galhos das árvores do quintal estão ficando brancos.

Fale agora, antes que seja tarde demais; e então espere continuar falando até que não haja mais nada a ser dito. O tempo está se esgotando, afinal de contas. Talvez seja melhor deixar de lado suas histórias, por enquanto, e tentar examinar como foi viver dentro desse corpo, desde o primeiro dia em que se lembra de estar vivo, até agora. Um catálogo de dados sensoriais. O que se poderia chamar de uma fenomenologia da respiração.



Paul Auster  |  “Winter Journal” (2012)

Tradução: Jussara Almeida



Posted by: Jussara (segunda, 7h)

Tenho a sensação de tentar ir a algum lugar, como se eu soubesse o que quero dizer, mas quanto mais longe vou, mais seguro me sinto de que o caminho rumo ao meu objetivo não existe. Tenho de inventar a estrada a cada passo e isso significa que nunca posso ter certeza de onde me encontro. Uma sensação de andar em círculos, de sempre voltar atrás pelo mesmo caminho, de partir em várias direções ao mesmo tempo. E mesmo que eu consiga fazer algum progresso, não estou nem um pouco convencido de que vá me levar aonde penso estar indo.

Só porque vagamos sem rumo num deserto não significa que exista uma terra prometida.

(Paul Auster, “A Invenção da Solidão“, p. 40-41)

Posted by: Jussara (segunda, 20h09)

[…] uma sensação de portas que se fecham, de fechaduras que se trancam. É uma estação hermética, um longo momento de introspecção. O mundo exterior, o mundo tangível das matérias e dos corpos, tomou o aspecto de uma mera emanação de sua mente. Ele se sente deslizando através dos acontecimentos, flutuando como um fantasma em torno de sua própria presença, como se vivesse em outra parte, fora de si mesmo — não de fato ali, mas tampouco em nenhuma lugar. Uma sensação de ter sido trancafiado e, ao mesmo tempo, de ser capaz de caminhar através das paredes. Ele anota em algum ponto, às margens de um pensamento: uma escuridão nos ossos.

[…] O mundo, para ele, se encolheu até ficar do tamanho de sua sala e, durante o tempo que for necessário para que ele venha a compreender isso, precisa ficar onde está. Só uma coisa é certa: não pode estar em nenhum outro lugar, seria absurdo para ele pensar em procurar um outro.

(Paul Auster, “A Invenção da Solidão“, p. 90-91)

Posted by: Jussara
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An interesting interview with Paul Auster, mostly about his book  Invisible. An author that I pretty much like…
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