The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.


Elizabeth Bishop  |  “One Art” (The Complete Poems, 1926-1979)




“Live in the moment”, I tell myself. It’s all I can do. Live in the moment. (Alice)

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Posted by: Jussara


A vida segue. Você se acostuma.

Quanto maior a perda, maior a quantidade de memórias esquecidas.

O olfato e a memória estão conectados no cérebro. Canela pode lhe lembrar do avental de sua avó. O cheiro de grama cortado pode evocar o medo infantil de vacas. O cheiro de óleo pode trazer à tona memórias de sua primeira travessia de balsa. Junto com o olfato, um oceano de imagens passadas desaparece.

[…] Primeiro o pânico. Depois vem a fome. É assim que o sentido do sabor desaparece do mundo.

[…] Não tiveram tempo de dar um nome à doença. Raiva. Fúria. Ódio. Depois a perda de outro sentido.

[…] Foi assim que a escuridão desceu sobre o mundo. 

Tudo o que os não afetados podiam fazer era esperar…

(Trechos do filme “Sentidos do Amor” narrados por Eva Green)

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PERFECT SENSE (2011, Dir: David Mackenzie)  |  via Let the Days Collide



Assisti a esse filme no início de fevereiro. Por questão pessoais, talvez, fiquei tocada com estória, com a forma como o filme foi construído. Com as perdas… Isso não quer dizer necessariamente que o filme sejá ótimo. Ainda assim, eu gostei bastante.

É melancólico (talvez seja essa a razão). Poético, de certa forma. Apesar da tragédia que se anuncia desde o princípio, há beleza acompanhando o avanço gradativo da angústia e da destruição. Beleza que se intensifica ao máximo nos últimos momentos antes da escuridão derradeira.

A completa e irreversível perda de todos os sentidos é a única via para o “sentido perfeito”.

Diferente da visão de Saramago em “Ensaio sobre a Cegueira” (Blindness, 2008). Bem diferente!