Confundias em mim
o silêncio com a melancolia
quando assistia imóvel
à passagem do tempo
e deixei que me atravessassem
suas marcas.

O silêncio é o recorte da alma —
se estás sem medo
e desapegado
o som do vazio
preencherá o ar:
nenhum bater de asas
nenhuma folha ao vento
será audível —
a vida te inundará —
corpo e sentidos.

Serás aquele que passou
pelo silêncio dos abismos
e sobreviveu
como, creio, eu.


(Fany Aktinol)





Every artist has some form of insecurity… about what they create, whether it’s good enough, [if] it’s gonna stay at the top, or it’s gonna still speak to people. Or is it going to lose its… relevance?

You can’t worry about these things. You have to create things that are truthful. And [by] truthful… I don’t mean truthful with the big “T”, just truthful to yourself. And authentic and honest, and that resonates with the experiences and situations that you’ve gone through.

I often wish that I’d gone through harder things in life so it makes my art richer in… somewhat… some layer, questioning my own identity, for some reason…

It’s not about you. It’s not about all your talents. Because all those things formed us [most] like a pseudo reality, you know, when you find all your validation in what you do. And if you surrender yourself to it [the great abyss] then those things become less important, and you find your creativity again. You find out the reasons why you create.

Creativity… it’s not for yourself. It’s to serve others.


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Quando acordares lembra-te de mim. Eu sou aquele que te pegou na mão, e o que te acariciou os cabelos. Estavas chei(a) de medo e o sono não conseguia arrastar-te para dentro de ti, nem o tempo para dentro de tua mais íntima idade. Precisavas de alguém que te amparasse a cabeça e te falasse em voz alta. Tantas vozes, lembras-te? Tanto silêncio, lembras-te? Eu estava lá e só eu te ouvia.


Manuel António Pina  |  “Todas as palavras”



Protege-me com ele, com o teu olhar,

dos demônios e das aflições do dia,

fala em voz alta, não deixes que adormeça,

afasta de mim o pecado da infelicidade.



Manuel António Pina


Em um cantinho silencioso do mundo…


Difícil fotografar o silêncio.

Entretanto tentei. Eu conto:

Madrugada a minha aldeia estava morta.

Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.

Eu estava saindo de uma festa.

Eram quase quatro da manhã.

Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.

Preparei minha máquina.

O silêncio era um carregador?

Estava carregando o bêbado.

Fotografei esse carregador.

Tive outras visões naquela madrugada.

Preparei minha máquina de novo.

Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.

Fotografei o perfume.

Vi uma lesma pregada na existência mais do que na

pedra.

Fotografei a existência dela.

Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.

Fotografei o perdão.

Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.

Fotografei o sobre.

Foi difícil fotografar o sobre.

Por fim eu enxerguei a ‘Nuvem de calça’.

Representou para mim que ela andava na aldeia de

braços com Maiakowski – seu criador.

Fotografei a ‘Nuvem de calça’ e o poeta.

Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa

mais justa para cobrir a sua noiva.

A foto saiu legal.


Manoel de Barros  |  “O Fotógrafo”

(Poesia Completa. Leya, p. 379)



A vida junto da morte
na carcaça de um carro à beira da estrada
você ouve as gotas de chuva na lata enferrujada
antes de senti-las cair na pele do rosto.
Cai a chuva, salvação depois da morte.
Ferrugem mais eterna do que sangue,
mais bonita do que cor de labaredas.
O vento que é tempo, alterna
com o vento que é lugar.
E Deus
permanece na terra como um homem que sabe
que esqueceu alguma coisa
e fica
até lembrar.
E à noite você pode ouvir
como maravilhosa melodia,
o homem e a máquina,
no seu lento caminho, do fogo rubro
para a paz negra
e daí para a história
e daí para a arqueologia,
e daí para um belo estrato de geologia.
Isso também é eternidade
como o sacrifício humano que virou
sacrifício animal e depois oração em voz alta
e depois oração dentro do peito
e afinal nem oração.



Yehuda Amichai  (tradução: Millor Fernandes)



Posted by: Jussara


Ilustrações de Piero Fornasetti


Uma breve introdução a uma história do silêncio e sobre as vantagens de ficar de boca fechada

PETER BURKE (especial para a Folha)  |  Trad.: Polina Vasiliev  |  Fonte: Ricardo Lombardi


Para nós é comum pensar o silêncio como algo negativo, a mera ausência do som. Neste artigo eu tentarei persuadir você a pensar o silêncio de uma maneira mais positiva.

Os silêncios — é melhor pensar no plural — podem ser longos ou curtos. Variam tanto em qualidade quanto em quantidade. Podem ser naturais ou culturais, por exemplo. Podem ser voluntários ou forçados, espontâneos ou estratégicos, cálidos ou frios ou, como às vezes dizemos, “um silêncio de pedra”. Podem ser normais ou patológicos. A ausência do falar pode igualmente expressar discrição ou humildade. Um silêncio desdenhoso ou insolente precisa ser distinguido de um ameaçador. As pessoas se encontram sem palavras por assombro, embaraço ou até raiva. Enfim, o silêncio não é um fenômeno puramente negativo.

O silêncio de um mestre hábil é novamente distinto dos exemplos que já citei. É a arte de fazer uma pergunta difícil e depois dar ao aluno tempo suficiente para meditar, para pensar na resposta. Nos mosteiros zen-budistas, como conta a história, o mestre está preparado para passar anos à espera de uma boa resposta. Sócrates foi mestre desse método, e nós perdemos mais do que nos damos conta quando lemos um relato de suas palavras em lugar de ouvi-las diretamente. Passados dois mil anos, já não podemos ouvir seus silêncios claramente.

Em outras palavras, vale a pena tentar escutar os silêncios, embora às vezes seja difícil interpretá-los. Os “atos de silêncio” humanos, como os chamam os linguistas, sempre têm um sentido, seja esse consciente ou inconsciente, embora certos silêncios sejam mais valiosos ou mais carregados de significação que outros. Nós os chamamos às vezes de silêncios “significativos” ou “eloquentes”, aconteçam eles ora nos discursos, ora nos sermões, ora nas peças de teatro ou nos concertos musicais. Esses silêncios são eloquentes porque são pausas deliberadas, que acontecem na hora apropriada, equivalentes aos espaços vazios na arquitetura ou na pintura. Podem ser até mais efetivos quando são inesperados.

Em outras palavras, o silêncio é uma arte, como diziam nossos antepassados, a arte de domar a nossa língua. É um saber que pode e precisa ser aprendido. Poderia ser considerado uma forma de conhecimento, o conhecimento de quando, onde e em quais situações é melhor não falar. Ou, como diriam os sociolinguistas de hoje, o silêncio em si é uma forma de comunicação que, como as outras formas de comunicação, tem suas próprias regras e convenções.

O exemplo mais impressionante e sofisticado que eu conheço vem do Oriente. Era conhecido como a “fala de pincel”, na época em que os pincéis eram usados em vez das canetas para escrever. O sentido do termo é que os chineses e os japoneses não podem entender a língua falada dos outros. Ao contrário, os ideogramas escritos são igualmente legíveis e têm o mesmo significado em ambas as culturas. Como resultado dessa herança comum, os chineses e os japoneses podem usar papel e caneta para levar a cabo uma conversa silenciosa.

Mas, de certa forma, a maioria de nós participa da comunicação silenciosa todo o dia, quando indicamos algo com a cabeça, piscamos os olhos, levamos um dedo aos lábios ou levantamos os olhos para os céus, sem mencionar os gestos menos gentis dos que estão atrás de um volante.

A minha preocupação principal, aqui, é com a particular variedade do silêncio, o silêncio da conversação. Hoje talvez nos achemos liberados de tudo isso, mas ainda passamos um bom tempo obedecendo a essas leis da conversação, conscientemente ou não. Essas leis incluem também os seus contrários, as leis do silêncio, que tratam daquilo que não é permitido dizer: quando, onde, por quem, a quem e também, com certeza, sobre o quê — em outras palavras, as leis dos temas proibidos.

As regras variam de um lugar para outro, de um contexto social para outro e de um tempo para outro. Há uma geografia, uma sociologia e uma história do silêncio. Vamos começar pela geografia.

Alguns povos falam menos do que outros; os europeus do norte, por exemplo, menos do que os do sul, como os italianos ou os gregos. A minha impressão dos brasileiros é que eles acham os ingleses artificial[mente], incrível e até patologicamente silenciosos. Ora, os ingleses acham que os suecos são bastante silenciosos, um estereótipo reforçado pelo famoso filme do diretor Ingmar Bergman, “O Silêncio” (1963). Para os suecos, por outro lado, o povo silencioso por excelência são os finlandeses.

Vamos continuar com o inglês por um momento. Somos realmente tão silenciosos como pensamos, ou será esta imagem mais um estereótipo bobo? Ao que sei, nenhum sociolinguista tentou medir diferenças nacionais em silêncio, embora não seja muito difícil levar a cabo um experimento desse tipo. Mas contar os segundos de silêncio não é a única maneira de enfrentar o problema. Considere o nosso vocabulário, por exemplo. Temos uma grande variedade de palavras para nomear as pessoas que falam demais, e a maioria delas é pejorativa. Essas pessoas são chamados de “chatterboxes” (caixa de conversa) ou de “garrulous” (tagarela), de “loquacious” (loquaz), “talkative” (falastrão), “wordy” (verboso) e assim por diante. Nós parecemos ser muito menos críticos com as pessoas que falam pouco demais. Na verdade, algumas mulheres dizem que preferem um “homem forte e silencioso”.

Vamos abordar a questão de outra perspectiva, a experiência de conversar ou tentar conversar numa cultura na qual as regras são diferentes das nossas, mesmo que essa diferença pareça muito pequena. Eu por acaso passei um bom tempo nas culturas latinas, desde a Itália até o Brasil, e uma grande parte desse tempo passei conversando. Desfrutei muito essa experiência, embora tenha a certeza de que nessas culturas sou percebido como uma pessoa bastante silenciosa. Uma razão do meu silêncio é que fui criado na crença de que é pouco gentil interromper as pessoas e portanto eu espero até elas acabarem de falar. Mas elas nunca acabam!

Mais exatamente, as culturas diferem no tamanho da pausa depois da qual é considerado aceitável entrar na conversação. Os ingleses esperam um segundo mais que os latinos. Talvez não seja um segundo, mas uma fração de um segundo, eu nunca tentei medi-lo. O importante é que a demora, por mais curta que seja, é fatal, porque alguém sempre se adianta na minha frente. Portanto eu quase nunca consigo dizer nada, pelo menos em grupos de quatro pessoas ou mais, a não ser que alguém me faça uma pergunta direta e aguarde uma resposta.

A conclusão óbvia — mas importante — dessa tentativa de penetrar o silêncio inglês é que quase tudo é relativo, inclusive o silêncio. No século 17, quando os ingleses começaram a colonizar a Nova Inglaterra, notaram que os seus vizinhos índios gostavam ainda menos da “tagarelice” do que eles mesmos. Certos povos indígenas americanos, como os apaches do Oeste, que moram no Arizona, são famosos por ficar em silêncio quando se encontram com um desconhecido, ou nas fases iniciais de um namoro, ou quando as crianças reencontram os seus pais depois de uma longa ausência, enfim, sempre e quando uma pessoa ou uma situação lhes é desconhecida. Nessas ocasiões os apaches “desistem das palavras”, como dizem eles mesmos, até se acostumarem ao novo estado das coisas.

Em outras palavras, a questão do silêncio não é só uma questão de certas pessoas ou de certos povos que recusam fazer discursos longos. Igualmente importante é a existência de diferenças culturais consideráveis quanto ao que se poderia chamar de “tolerância” com o silêncio das outras pessoas, diferenças no tempo que o silêncio pode durar até tornar incômoda a situação.

A tolerância inglesa do silêncio, embora claramente mais baixa do que a tolerância dos finlandeses ou dos apaches do Oeste, sempre foi suficiente para surpreender muitos visitantes estrangeiros. Um visitante da Suíça no século 18, por exemplo, nos deixou um relato vívido dos jantares nas casas de campo inglesas, os cavalheiros retirando-se à sala de fumar não para conversar, muito menos para debater, mas apenas para pitar os seus cachimbos e, de quando em quando, a fim de impedir que o silêncio se torne frio, soltar uma frase como “How d’ye do?” (Como vai?).

O visitante estrangeiro achou esse costume um pouco estranho, mas não de todo desagradável. Decerto ele deu uma interpretação notavelmente generosa, elogiando a sinceridade de um povo que não falava quando não tinha nada para dizer e contrastando esse autocontrole com a loquacidade dos franceses. Os ingleses do século 18 parecem ter sido bem menos generosos com eles próprios. De todo jeito, já faziam piadas sobre si mesmos nesse aspecto. Numa época em que os clubes só começavam a entrar em moda em Londres e noutras partes, o famoso jornal “The Spectator” descreveu a fundação de um “Mum Club” que proibia os sócios de falarem entre si.

E assim, nos anos 1950, quando o dramaturgo romano-francês Eugène Ionesco satirizava um casal típico de ingleses na sua comédia “A Cantora Careca”, incluindo nas suas marcações de cena “um longo momento de silêncio inglês”, ele estava se inserindo numa longa tradição. Silêncio, por favor, somos ingleses.

Os estereótipos servem no palco do teatro, mas nós precisamos ter cuidado para não os confundir com a realidade. Por essa razão, com o propósito de minar o estereótipo tradicional inglês de um italiano falador, gostaria de falar sobre a história do silêncio na Itália. Vou enfocar o século 16, a época de algumas discussões famosas sobre a arte da conversação, como as de Baldassare Castiglione, Giovanni Della Casa e Stefano Guazzo (três textos que foram traduzidos no século 16 e eram bem conhecidos na Inglaterra elisabetana).

Vamos voltar às leis da conversação — quem diz o quê, para quem, quando e onde — e traduzir essas leis do silêncio. Quem exatamente deve ficar calado, segundo esses escritores? Em primeiro lugar, as crianças na presença de adultos. Essa idéia de que as crianças devem ser vistas, mas não ouvidas, não foi uma invenção dos vitorianos. É muito mais velha.

Em segundo lugar, as mulheres deviam ficar em silêncio, especialmente em público, ou seja, na presença de homens que não fossem parentes delas. O silêncio era um símbolo da modéstia feminina. Até uma proposta de casamento, segundo um moralista italiano, devia ficar sem resposta, sendo o silêncio sinal suficiente de consentimento. Os homens sempre citavam o elogio de São Paulo à mulher calada.

“Por meio do silêncio”, conta um outro livro italiano de boa conduta, “as mulheres logram a fama da eloquência”. Ele não se referia aos olhares eloquentes pelos quais as damas de Gênova em particular eram famosas. “Elas sabem escrever uma carta inteira com um só olhar”, declarou um visitante. Ao contrário, o silêncio que os livros elogiavam nas mulheres era o silêncio da submissão.

Ainda mais surpreendente, talvez, é descobrir que até os homens adultos eram aconselhados a “falar pouco” na Itália. A reserva era marca da discrição. Um provérbio italiano recomendava ficar de olhos abertos e de boca fechada. O propósito de todos esses conselhos era mais prático do que moral: era para não divulgar os assuntos particulares às pessoas desconhecidas, para não dar informação aos rivais ou inimigos potenciais.

Esses livros italianos expressam o que se pode chamar de “cultura da desconfiança”, em que as outras pessoas, pelo menos fora da família, são consideradas hostis por suposição -ou no mínimo prontas para aproveitar qualquer fraqueza. O silêncio era um escudo. Esse “silêncio da discrição” recomendado aos homens adultos contrasta com o silêncio de submissão esperado das mulheres e das crianças.

Essas regras não eram absolutas, decerto. Em alguns locais, desde cortes a mosteiros, e em certas ocasiões, o silêncio era considerado particularmente importante. Os italianos aparentemente achavam difícil ficar calados dentro da igreja e frequentemente conversavam no teatro durante o espetáculo. Por outro lado, eram supostamente capazes de ficar calados nos cassinos de Veneza, os famosos “ridotti”.

Os criminosos tinham orgulho da sua capacidade de ficar calados sob interrogatório.

O silêncio da resistência mais geral, que os sicilianos chamam de “omertà” (hombridade), tem sido uma grande força na sua história em particular. O silêncio é também uma forma de resolução de conflitos. No caso da Itália de hoje, um sociólogo sugeriu que os conflitos menores são associados ao barulho, enquanto as brigas mais sérias são resolvidas em ou pelo silêncio. Se as pessoas gritarem quando você encostar no carro delas, não fique com medo. Só quando elas ficam caladas há motivo de preocupação, porque as ações podem vir em lugar das palavras.

E com isso chegamos ao objeto do silêncio das pessoas. Em muitas partes do mundo a religião e o silêncio são vinculados. Pode ser uma forma de mostrar respeito aos deuses. Uma outra alternativa seria a crença ou a suposição de que as verdades religiosas são inefáveis, impossíveis de expressar por meio da linguagem humana.

Na Itália do século 16, os livros de conselhos frequentemente recomendavam aos leitores falarem pouco sobre a política, especialmente às pessoas desconhecidas, para não as ofender. A cultura da desconfiança também era a cultura em que ambos, o ofender e o ofender-se, eram extremamente fáceis — e muitos adultos habitualmente carregavam um punhal ou pelo menos uma faca. O punhal pode não estar mais na moda, mas a tradição do silêncio político continua. Perguntar a um desconhecido sobre o partido político que ele apóia é considerado descortês. Na verdade, até pouco tempo atrás a palavra “máfia” não se ouvia na Sicília, ao menos em público, até que o tabu foi propositalmente quebrado pelo prefeito de Palermo.

Há uma tentação de argumentar que na Europa do sul a política é um tema proibido, enquanto na Europa do norte o tabu é o sexo. Novamente, devemos estar atentos aos estereótipos simplistas, especialmente quando se trata de divisão norte-sul. Afinal de contas, no século 16 as damas italianas eram aconselhadas a ter cuidado com as possíveis conotações sexuais dos seus comentários. Um escritor até as aconselhou a falar “castanhas” quando na verdade queriam dizer “figos”, uma fruta que era vinculada à sexualidade. Nesse campo minado das palavras, o silêncio total deve ter sido às vezes a saída mais segura. Não há que estranhar que as pessoas falassem do silêncio como de uma arte. Ele implicava muito mais do que saber escutar bem.

 

Peter Burke é historiador inglês, autor de “A Arte da Conversação” e “História Social da Linguagem” (Ed. da Unesp).