Posted by: Jussara


Se eu tivesse um gatinho preto e branco, ou todo preto, colocava o nome de FELLINI. É perfeito! Mas este aqui, pensando que está a caçar, é só da Enriqueta…

Adoro os dois personagens criados pelo cartunista argentino.


Posted by: Jussara


Posted by: Jussara


Deixo aqui a música que toca na cena final de HOUSE, no último episódio da série (Everybody Dies). Gostei muito do final! Vou sentir falta desse médico arrogante, egoísta, “maluco” e excepcionalmente inteligente… Mas, como tudo na vida, uma hora tinha que terminar. E foi no momento certo, pois estava começando a perder a graça desde a sétima temporada. Mais um pouco e a série ficaria realmente previsível e chatinha.

Os escritores conseguiram reverter esse efeito da “idade avançada” da série e o final não deixou nada a desejar. Mereceu todas as mensagens e vídeos que os fãs de House enviaram como um tributo à série. Algumas delas aparecem em um programa/episódio apresentado e narrado por Hugh Laurie, chamado Swan Song: A Memoir to House (trailers aqui e aqui), onde o ator mostra os bastidores da série, que teve 177 episódios no total, e os últimos momentos de gravação e comemoração com toda a equipe — dentre outras coisas, uma “competição” de paintball com o Dr. Wilson (Robert Sean Leonard), dentro do cenário do hospital. Bem divertido.

Confesso que deu uma certa tristeza de ver o impertinente Dr. Gregory House indo embora. Mas valeu a pena porque, como dizem os ingleses, the ending was BRILLIANT!


Song & Lyrics: Warren Zevon
Album: The Wind (Artemis Records)
Released: 26 Aug 2003

Vídeo original: youtube



Shadows are falling and I’m running out of breath
Keep me in your heart for awhile
If I leave you it doesn’t mean I love you any less
Keep me in your heart for awhile

When you get up in the morning and you see that crazy sun
Keep me in your heart for awhile
There’s a train leaving nightly, called when all is said and done
Keep me in your heart for awhile

Keep me in your heart for awhile
Keep me in your heart for awhile

Sometimes when you’re doing simple things
around the house
Maybe you’ll think of me and smile

You know I’m tied to you 
Like the buttons on your blouse
Keep me in your heart for awhile

Hold me in your thoughts, take me to your dreams
Touch me as I fall into view
When the winter comes keep the fires lit
And I will be right next to you

Engine driver’s headed north to Pleasant Stream
Keep me in your heart for awhile
These wheels keep turning but they’re running out of steam
Keep me in your heart for awhile

Keep me in your heart for awhile
Keep me in your heart for awhile




I’ll keep you in my heart for a while… for quite a while. I promise!


Posted by: Jussara


Posted by: CAROL


Nunca me deixei engabelar por essas baboseiras que nos impingem como fazendo parte da natureza humana. Não se pode estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo, meu Deus, quanta gente morreu e morre todos os dias por causa desse dogma babaca, que é tão arraigado que a pessoa, homem, e principalmente, mulher, que está ou é apaixonada por dois ou três entra em conflitos cavernosíssimos, se remói de culpa, se acha um degenerado, não confessa o que sente nem às paredes, impõe-se falsíssimos dilemas, se tortura, é uma situação infernal e cancerígena, todo mundo lutando estupidamente para ser quixotes e dulcinéias. É o atraso, o atraso! Em tese, somos capazes de nos apaixonar por tantas pessoas quantas sejamos capazes de lembrar, o limite é este, não um ou dois, ou três, ou quatro, ou cinco, ou dezessete, todos esses números são arbitrários, tirânicos e opressores.

(João Ubaldo Ribeiro em “A Casa dos Budas Ditosos“)





O que vocês acham? Concordam com o Ubaldo Ribeiro?  ;-)

Posted by: CAROL


Watercolor by Ben Tour


Às vezes dura dez minutos, às vezes um pouco mais. Quando dura 15, é carnaval. Fico 15 minutos trabalhando, concentrada, focada em algum assunto que não é você, e então tenho a impressão de que o processo de cura começou, mas os dias possuem bem mais do que 15 minutos, e em todo o resto do tempo é em você que penso, e eu me flagro incrédula, mortificada: faz de conta que não aconteceu, não aconteceu nada, fique calma. Ontem sonhei com você e tive quase certeza de que Deus não existe mesmo, pois Ele, em sua infinita bondade, não faria isso comigo [...]. Acordei com uma dor semelhante à de uma agulha enfiada na veia; alguém estava retirando meu sangue, me vampirizando. Você, só podia ser você, que se me visse agora consideraria um exagero esse meu desalinho emocional, que diria que estou dramatizando; você que nunca passou por nada igual, mas talvez passe, tomara que passe, para poder entender. Não há inteligência que nos salve nessa hora, não há explicação, discernimento, só vibrações, as ruins e as péssimas [...].


Deus, Pai, Senhor, seja você quem for, tire esse homem do centro das minhas atenções!


[...] eu adoraria te encontrar e te dizer os piores desaforos, te chamar de tudo, berrar os palavrões mais inqualificáveis, abalar teus brios, mas não faço nada disso; agora fico em silêncio tal como você, os dois manipulando um ao outro com a quietude, apostando num desaparecimento que sempre alimenta interrogações. Você tem vontade de me procurar? Quem de nós dois vai resistir mais tempo?

[...] Lembro como era bom compartilhar minha felicidade com os amigos, falar pelos cotovelos sobre alegrias que soavam até ofensivas àqueles que não entendiam o que se passava no interior de um corpo em festa. Eu costumava ser uma alegoria ambulante. Agora a festa terminou, os copos estão espalhados pelo chão, os pratos sujos, silêncio absoluto, ficou o vazio devorador de uma solidão impossível de ser contada. Qualquer coisa que eu fizer será inútil, o fim é uma parede, impossível atravessar, fica-se exatamente onde se está, inerte, até que uma porta, um dia, num passe de mágica, venha a ser desenhada no meu futuro. Mas, por ora, não existe futuro, não existe passado, não existe o tempo, eu olho a chuva pela janela e ela existe lá fora e eu não existo aqui dentro.

O desespero acalmou, virou uma tristeza amistosa que me impede de reagir, me impede de fazer planos, me impede até de sofrer — ela simplesmente me entorpece, imobiliza, é uma espécie de anestesia. Durma, querida. Durma, mesmo acordada. Durma, mesmo trabalhando. Durma e não preste atenção no que está acontecendo. Não está acontecendo nada mesmo.

Peguei meu carro num domingo e fui passar o dia na praia. Me levei embora de mim. Queria ver o mar, foi a desculpa que me dei. Não podia admitir que precisava ouvir uma pessoa estranha me contar o que há do outro lado desse abismo. Queria que alguém me enganasse com a melhor das intenções.

[...] No dia seguinte não choveu. No dia seguinte não chorei. Aceitei que deveria levar dentro de mim o projétil que não havia como retirar, a bala que se alojou num ponto que impossibilitava a extração. Um médico me diria, se eu tivesse procurado um médico, que é preciso se acostumar com esse corpo estranho e levar uma vida normal, como se nunca tivesse sido atingida.

Esse corpo estranho. A dor. Continuo sentindo tudo o que sentia, mas já sem procurar lógica para esse sentimento atrofiante. Sigo triste, mas menos catastrófica. A ansiedade que me empurrava ladeira abaixo deu uma desacelerada, já consigo ficar indiferente. Passei a ir ao cinema com mais frequência e tenho me encontrado com as amigas.


[...] É a pior morte, a do amor. Porque a morte de uma pessoa é o fim estabilizado, é o retorno para o nada, uma definição que ninguém questiona. A morte de um amor, ao contrário, é viva. O rompimento mantém todos respirando: eu, você, a dor, a saudade, a mágoa, o desprezo — tudo segue. E ao mesmo tempo não existe mais o que existia antes. É uma morte experimental: um ensaio para você saber o que significa a morte ainda estando vivo, já que quando morrermos de fato, não saberemos.


Então é isso que começa agora, minha trajetória de morta-viva, com algumas horas mais morta, outras mais viva, dependendo do que me chega, se um convite para uma balada ou uma lembrança corrosiva que abate e me destrói. A cada meia hora, um estado de espírito diferente. À noite, meu cansaço é igual ao de um maratonista, é como se eu tivesse atravessado dezenas de quilômetros, entre subidas e descidas. Mas, ao contrário do que acontece nas atividades físicas, as descidas são as que mais consomem minha energia.

[...] está tudo caótico, mas tudo bem, a paixão é desse modo, eu apenas não estou acostumada, apenas isso, mas vou me acostumar; todo mundo diz que amar desse jeito transtornado é normal.

Não era. [mas parece que assim se tornou...]


Martha Medeiros  |  ”Fora de Mim” (Objetiva, 2010, pp. 39-53)

Postedby: Jussara


Já que o divertidíssimo livro de Alessandro Boffa é mencionado no texto de Eliane Brum, que postamos há uns dias atrás, deixamos aqui uma amostrinha.

Com vocês, Viskovitz, um micróbio à beira da “evolução”.


Eu, Viskovitz, era um micróbio. Tamanho não é documento, Viskovitz”, ouvia dizer. “O importante é ser você mesmo.”

Como se fosse fácil. Nem bem conseguira afeiçoar-me ao meu nome e já tinha me tornado dois micróbios, VISKO e VITZ. Imaginem então quando virei quatro: VI, SKO, VI e TZ. Fiquei em frangalhos. Era mais ou menos como todos nós estávamos então, no pré-cambriano. “Que fazer”, dizia-se, “a vida é assim.”

“Metabolismo” parecia-me um termo mais apropriado. A nossa ideia de divertimento era sedimentar em companhia de coacervados e proteinóides, metano e amoníaco eram considerados uma “ótima atmosfera”.

Quando começaram a me chamar de V, I, S, KO, V, I, T, Z, percebi que estava na hora de fazer alguma coisa. Mas qual coisa? E quem? Eu estava em minoria até dentro de mim mesmo, as pessoas me tratavam por “vocês”.

Foi então que ouvi aquela Voz: “V, I, S, KO”, disse-me, “está na hora de virar bicho”.

Bicho?” Naquela altura, qualquer sugestão valia: o que para um era degeneração, para outro podia ser evolução.

Não sei por onde começar”, confessamos.

Por serem egoístas, cheios de si. É só se agarrar com todas as forças ao nosso minúsculo eu; não deve ser difícil para você...”

Tentamos. O que de mim havia restado nos meus oito micróbios teve um frêmito de orgulho, um incremento de viscosidade e, com heróico esforço, fez que se agregassem num único plasmódio. Foi o primeiro organismo pluricelular, creio eu, e o primeiro eu verdadeiro. Exatamente eu, Viskovitz. 

E agora?” perguntei.

Hum… Agora tem de aprender a matar e devorar o próximo. Grande como você ficou, não deve ser difícil.”

Outros seres vivos?”

Vivos só enquanto você não acabar com eles, Visko. Não há mal nenhum nisso: chama-se vida heterotrófica.”

Não me parecia perigoso, os vizinhos eram bem franzinos. Olhei em torno e logo encontrei o que me servia: Zucotic, o bacilo; Petrovic, o vibrião; e Lopez, o espirilo. Três paleogermes sépticos e virulentos que tinham me adoentado com as suas toxinas durante todo o arqueozóico. Fui lá, catei-os a tapa e devorei-os. Foi o primeiro exemplo de “sobrevivência do mais bem adaptado”, conceito que iria longe. 

E agora?”

Agora deve aprender a… fazer aquela coisa… Bem, quer dizer… conjugar-se com outro organismo e recombinar-se. Encontre alguém que lhe agrade, para trocar um pouco de DNA.”

Mas…”

Não é feio, não, Visko. Siga o seu coração.”

Pensei que se referisse a VITZ, as quatro células que se agitavam no centro da minha sárcina, com um pouco de imaginação eu podia considerá-las um coração. Ejetei V e fiquei observando aonde ia. Foi logo tratando de escapulir, de afastar-se com torções e flexões do plasma. Segui-o remando com os flagelos até que o vi alcançar uma gelatina albuminóide de micoplasmas prateados, cingida por longos cílios filamentosos e fímbrias purpúreas. Foi então que perdi a sua pista.

Ei, você aí, gel!”, berrei. “Ou muito me engano, ou você pegou o meu coração.”

Aqui os corações vão e vêm”, respondeu com uma risadinha debochada a ladra de corações. “Como era o seu?”

Um microplasma esférico, um tanto elástico e mole, da última vez que o senti palpitar.”

Bem, pode reavê-lo, se quiser. Mas tem que vir pegá-lo, plasmódio.”

Plasmódio é o meu tipo morfológico, o meu nome é Viskovitz.”

E gel é a vovozinha: o meu nome é Ljuba.” [pronuncia-se Liuba]

Com cautela, aproximei-me dela e aderi à sua massa viscosa, depois extroflecti I, endureci-o e afundei-o no corpo da sujeita para que nele encontrasse o compadre fujão. Naquele vai-não-vai, acabei perdendo também I, que se escafedeu e mergulhou, plasma e periplasma, no U dela. 

Foi assim que inventei o sexo. Meio desastrado, mas com todo o coração. Perguntei à gelatina o que ela tinha achado daquilo.

Isso é sexo?”, desatou a rir, tremendo toda. “Você chama isso de sexo?” Continuando a gargalhar, contraiu o sifão e fez-se ao largo, sem deixar rastro, deixando-me ali, com o coração em frangalhos.

Era aquele vazio que doía, aquela voragem no centro do ser. Não que VISKOTZ fosse um nome feio, entendamo-nos, mas era o nome de um plasmódio ferido, de um bicho diminuído no seu eu. Resolvi construir uma jaula de mureína em torno dos restos daquele coração.

Não faça isso, Visko”, advertiu a voz.

Você de novo!”, explodi. “Posso saber de uma vez por todas quem diabos é você?”

Eu sou… a voz do seu plasma mais antigo. O Micróbio Primordial, a Protocélula de quem todos vocês nasceram, o EU que abrange vocês todos. Pode me chamar de VI.”

VI?”

É, VI. VI de VISKO, sua mente, VI de Vitz, seu coração, VI do sêmen que você difundiu, VI de toda a Vida, meu filho.

Escute aqui…” Alguma lógica aquele discurso tinha, algo do primeiro micróbio podia ter ficado dentro de mim. E nos outros. Com que então seu plasma estaria dentro de todo o mundo, inclusive naquela Ljuba, só para citar alguém.”

Exatamente. E garanto uma coisa: você vai revê-la, Visko, vai revê-la. E talvez as coisas corram um pouco melhor para você. Talvez.”

E vai me dizer que você também estava dentro de Zucotic, Petrovic e Lopez?”

Estava e ainda estou. Também eles você vai ter de rever, Visko, a minha imaginação é aquilo que é…”

Você pretende fazê-los evoluir também?”

Evoluir é uma palavra que não me agrada. O divertido é ‘mudar’, Viskovitz.”

Um momento. Você me chamou de Viskovitz, mas sabe muito bem que esse nome não faz mais sentido.”

Sei o que estou dizendo. Olhe no seu coração e verá que tenho razão. Ande, não tenha medo, não é um exercício espiritual…”

Voltei-me para mim mesmo, hidrolisei os polissacarídeos e espiei. Naturalmente só vi T e Z. No entanto, com aquele contato íntimo, V e I de Visko começaram a reavivar-se. A duplicar-se, bilobar-se, septar-se e cindirse. Poucos minutos depois, a regeneração era completa, e eu me encontrava diante dele, VITZ.

Fiat eu…”, gritei. Eu era de novo eu, o velho animal, mais em forma que nunca. Bem, disse para mim mesmo, ótimo, ninguém mais me segura, chegou o momento de dar uma boa lição a todo mundo, ecossistema ladra!

Desatei a chorar e a rir, como um garotinho. Tinha certeza de que, das minhas lágrimas salgadas, surgiria o mar, sim, senhor, o mar, e a partir dali começaria a vida, a verdadeira vida.

Muito bem, você agora é um animal, elogiou-se a voz,mas ainda falta aprender uma coisa.”

Ouçamos. A meiose? A fermentação? A ontogênese?

A morte, Visko.”

Está brincando.”

Você não é mais um micróbio, Visko. Os animais morrem.”

Um momento, amigo, um momento… Renunciar a tudo?

A tudo.”



Alessandro Boffa

Trecho de Você é uma animal, Viskovitz (Companhia das Letras, 1999)

Posted by: Jussara & Carol



Song To The Siren 

Long afloat on distant oceans
I did all my best to smile
‘Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle

And you sang
Sail to me, sail to me
Let me enfold you
Here I am, here I am
Waiting to hold you

Did I dream? You dreamed about me?
Were you hare when I was fox?
Now my foolish heart is leaning
Broken, lovelorn, on your rocks

For you sang, touch me not
Touch me not, come back tomorrow
Oh my heart, oh my heart
Shies from the sorrow

Here I am, here I am

I am puzzled as a newborn child.
I am riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Should I lie with death, my bride?

Hear me sing
Swim to me, swim to me,
Let me enfold you
Here I am, here I am
Waiting to hold you

(Tim Buckley lyrics)

Posted by: CAROL


O  mundo está tão cheio de livros, como falto de verdades. E oxalá que nos homens fossem, de algum modo, tantos os frutos quantas são sem número, nos livros, as folhas. Mas a desgraça é que, por mais que sejam muitos os notadores dos livros, são muito mais os que no mundo vivem notados; e não basta vermos encadernados os livros, para que deixemos de ver desencademados os homens. Com efeito, são os livros os suores dos homens ou o engenho dos homens; e está o mundo tão emendado, que já ninguém vive do suor alheio.

Padre António Vieira  |  ”As Sete Propriedades da Alma”

Ilustração de fundo: Alexey Kurbatov | Ilustração de Antônio Vieira: desconhecido


Posted by: Jussara


 ”Juice Street Wind”  |  Photographer: JAMIE BECK (*)  |  From Me To You


I am not yours, not lost in you,
Not lost, although I long to be
Lost as a candle lit at noon,
Lost as a snowflake in the sea.

You love me, and I find you still
A spirit beautiful and bright,
Yet I am I, who long to be
Lost as a light is lost in light.

Oh plunge me deep in love — put out
My senses, leave me deaf and blind,
Swept by the tempest of your love,
A taper in a rushing wind.

Sara Teasdale



(*) Cinemagraph © Jamie Beck & Kevin Burg

Posted by: Jussara


He had never before felt so self-consciously young, nor experienced such appetite, such impatience for the story to begin.

[...] The anticipation and dread he felt at seeing her was also a kind of sensual pleasure, and surrounding it, like an embrace, was a general elation — it might hurt, it was horribly inconvenient, no good might come of it, but he had found out for himself what it was to be in love, and it thrilled him.

(Ian McEwan in “Atonement“)



She returned his gaze, struck by the sense of her own transformation, and overwhelmed by the beauty which a lifetime habit had taught her to ignore.

[...] Finally he spoke the three simple words that no amount of bad art or bad faith can every quite cheapen. She repeated them, with exactly the same slight emphasis on the second word, as though she were the one to say them first. He had no religious belief, but it was impossible not to think of an invisible presence or witness in the room, and that these words spoken aloud were like signatures on an unseen contract.

(Ian McEwan in “Atonement“)



They were beyond the present, outside time, with no memories and no future. There was nothing but obliterating sensation, thrilling and swelling, and the sound of fabric on fabric, and skin on fabric, as their limbs slid across each other in this restless, sensuous wrestling. [...] They moved closer, deeper and then, for seconds on end, everything stopped. Instead of an ecstatic frenzy, there was stillness. They were stilled not by the astonishing fact of arrival, but by an awed sense of return — they were face to face in the gloom, staring into what little they could see of each other’s eyes, and now it was the impersonal that dropped away.

(Ian McEwan in “Atonement“)



Was everyone else really as alive as she was?

[...] If the answer was yes, then the world, the social world, was unbearably complicated, with two billion voices, and everyone’s thoughts striving in equal importance and everyone’s claim on life as intense, and everyone thinking they were unique, when no one was.

[...] It wasn’t only wickedness and scheming that made people unhappy, it was confusion and misunderstanding; above all, it was the failure to grasp the simple truth that other people are as real as you.

(Ian McEwan in “Atonement“)


  por Eliane Brum


Desde pequena, sexo, livros e comida estiveram intimamente ligados na minha vida. Graças a isso, para mim não há homem feio. O que não suporto é homem que cuida do corpinho, mas esquece que os neurônios também são filhos de deus. O cara pode se assemelhar ao piolho da Tasmânia, mas se disser uma frase inteligente eu fico toda alvoroçada. É claro que se disser algo inteligente querendo parecer inteligente ou se achando o último pinto depois do holocausto nuclear, viro as costas na hora e vou comprar uma fanta-uva.

O fato é que, para mim, não há nada mais afrodisíaco que uma frase inteligente, mais ainda se ela me fizer rir, o cheiro de livro velho e alguma coisa para mastigar. Por isso eu tenho um Ipad, mas sigo frequentando sebos. E sofro de bloqueios para fazer dieta. Resumindo. Minha equação erótica é:

homem inteligente + biblioteca + comida = sexo selvagem

E aí há um ponto intrigante: por que sexo selvagem? Passei anos buscando a fonte desta combinação que chegou a me causar alguns problemas ocasionais com a lei. Horas e horas de divã. Hipnose, florais e, num ato de desespero, cheguei a fazer uma regressão a outras vidas. Apenas para descobrir que a soma das vidas passadas, pelo menos as minhas, resultaram num profundo tédio ao longo das eras. Ainda bem que a gente não lembra, senão ia preferir dormir a nascer.

E então, bingo. Agora pela manhã tive um insight. Do tipo um clarão no cérebro com trilha do Gênesis. Aconteceu quando eu tinha 11 anos. Eu precisava pesquisar algum tema do fascinante currículo da quinta série e peguei uma carona com o meu pai para a biblioteca da faculdade numa noite em que ele daria aula. Era a maior biblioteca que eu já tinha visto e, o melhor, tinha salinhas. Me fechei numa salinha com uma pilha de livros jamais lembrarei sobre o quê. Sou muito sensível a atmosferas. Posso ficar horas parada, aparentemente não fazendo nada, mas na verdade estou vasculhando o ambiente.

A biblioteca ficava praticamente no meio de um bosque. E à noite a vida se impunha. Mariposas cometiam suicídio atirando-se contra a lâmpada fluorescente. Insetos caminhavam sobre a mesa com um número improvável de patas. Pernilongos produziam um remake cinematográfico de “A Comilança” no meu corpo. Então eu vi. O louva-a-deus. Ou melhor, a louva-a-deusa. Acompanhei passo a passo o sexo mais eletrizante de toda a minha vida com medo de respirar e quebrar o encanto.

Anos depois eu participaria de uma caravana para assistir ao Império dos Sentidos” [IMDb] no cinema da cidade pequena, supervisionada pela irmã casada de uma amiga. Ao perguntar minha opinião no final do filme, minhas colegas ficaram chocadas. Eu apenas esbocei um “puff”. Aos 14 anos, eu já tinha visto coisa muito mais impactante.

E tinha mesmo. Ali, na biblioteca, o louva-a-deus perdeu a cabeça. Literalmente, enquanto gozava (ou pelo menos eu espero que sim). Como diria o biólogo Alessandro Boffa no genial Você é um animal, Viskovitz? [caí em gargalhadas com esse livro... euzinha, não a Eliane], ao terminar, ainda mastigando, a superfêmea resmungou: “Crocante, rico em fibras”. Fiquei extasiada. Até hoje, quando vejo aquelas mulheres alfas desfilando por aí com seus sapatos de matar barata em canto, eu digo: puff. Poderosa mesmo é a louva-a-deusa.

E foi assim que tudo começou para mim. O meu ponto zero. Nos próximos anos, seria a vez de a minha família ficar extasiada com minha paixão pelos estudos, amplamente pavoneada para parentes e amigos reunidos na mesa de refeições. “Esta guria não sai da biblioteca.”

E eu só mastigando o franguinho de domingo. Por enquanto.

Posted by: Carol


Since you made a little joke about Robert Carlyle on your last post, dear sis, here’s a hint of what you were talking about when you mentioned the charming actor (not a joke here though, cause he really is). For those who do not watch “Once Upon a Time“. ;-)

The Beauty and The Beast, or Rumplestiltskin/Mr. Gold (played by Carlyle), according to the writers of the TV series about fairy tales without happy endings.



Posted by: Jussara

Not really worth it… Better buy my own books and build my own library! ;-)

UNLESS the Beast looked like Robert Carlyle in a suit! Then I would! hahaha

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